Meu filho adolescente, e agora?


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Sempre se ouve falar que a adolescência é uma das fases mais difíceis dos pais com os filhos. Parece que não se entendem mais. Os pais se perguntam onde está aquela criança que corria para seu colo e enchia de beijos e abraços. Ou cadê o filho que vivia atrás deles e não os deixava sozinhos nem para ir ao banheiro.

Pois sim queridos pais e responsáveis...  Essa fase acaba!

O que aconteceu com aquele bebezinho lindo, fofinho das fotos e vídeos? Eles cresceram e agora estão cheios de curiosidades, personalidade, desejos, sonhos e talvez o mais importante: vontade de se colocar no mundo (ainda bem!).  

A adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta. Se os pais acreditam que esta é uma fase difícil para eles, imagina para o adolescente, que passa por toda essa transformação física, hormonal e mental em um curto período de tempo. Dai aumentam as cobranças em relação às atividades, comprometimentos com a escola, família, amigos e com futuro (UFA!).

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Podemos pensar em uma panela de pressão em que colocamos vários ingredientes e esperamos que tudo fique pronto. Porém, sabe-se que ao utilizar uma panela dessas temos que ficar sempre de olho e observando como esta o cozimento, pois qualquer erro mínimo ou ingrediente que desande a panela pode explodir e causar grande estrago. Se estivermos atentos podemos evitar o estrago ou recuperar a receita a tempo. Mas se estiver longe e não prestar a devida atenção, a panela explode, podendo causar grande destruição.

Na adolescência o individuo não é mais considerado como criança, mas ainda não é tratado como um adulto. Ou pior, para coisas que ele gosta de fazer, muitas vezes não as pode mais, fazer porque é coisa de criança e o que gostaria de fazer não pode porque ainda não é adulto. Por isso, muitas vezes, o adolescente, nesta fase, utiliza-se de alguns meios para tentar se autoafirmar no mundo e isso engloba participação em grupos que não são mais os familiares ou os de costume, algumas atitudes de contradição à opinião dos pais, ter atitudes contrárias aos comportamentos que sempre teve e que podem ser inadequadas, entre outros.

Outras das principais características que podem aparecer é o imediatismo, a impulsividade e a dramatização. Para o adolescente tudo tem que ser na hora e se não acontece, isso é o fim... até a próxima situação.

Quem nunca viu um adolescente em um ataque de fúria por um motivo tão simples que foi resolvido dois minutos depois?

Importante pensar e saber que para eles essas questões são realmente muito importantes e tem à proporção que eles demonstram. Para o adolescente tudo é muito intenso e é muito difícil lidar com essa intensidade toda e não ser compreendido, quando nem ele mesmo se entende.

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A cada dia que passa vem mais e mais informações que ele não reconhece, mas que tenta demonstrar que está tudo bem, afinal ele já não é mais criança né? E como vai  ser um adulto se não consegue resolver seus problemas?

Lembra da panela de pressão? Ela esta ai pessoal. Cheia de ingredientes, em ebulição... Tem alguém verificando como esta o andamento desse processo? Vai explodir ou vão tentar ajustar a tempo essa panela? Como saber o tempo certo de interferir?

Sim são muitas questões, mas o importante é saber que o papel dos pais nesse processo do desenvolvimento é acompanhar, direcionar e compreender esse processo. Assim como advertir, intervir e corrigir o que está errado. Muitas vezes as transgressões são uma forma de dizer: “- Estou aqui!” “Olhem para mim!” “Quero ir, mas ainda preciso de vocês.”

Na maioria dos casos o apoio dos pais e familiares minimizam essas características e se escuta a fala de que o filho não teve essa tal “aborrecência”. Sinal de que a “bagunça” que foi criada para a passagem desse processo já esta sendo organizada e tudo está adaptado.  

Mas se as atitudes de transgressões prejudicam e causam risco ao adolescente, a família e/ou a sociedade deve-se ter um olhar mais clínico e profissional para uma intervenção mais incisiva, afim de tentar diminuir ou cessar os comportamentos agressivos e nocivos à saúde desse adolescente.

Deve-se buscar ajuda especializada, para que possa ser feita uma avaliação biopsicossocial que vai olhar para esse adolescente como um todo e assim traçar junto com a família uma melhor adaptação a essa fase.

DICA
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  • Nunca desvalorize o sentimento do adolescente;
  • Saiba manter a individualidade dele, mas não seja ausente;
  • Conheça os amigos. Crie situações em que os encontros sejam na sua casa e você consiga observar os comportamentos;
  • Crie ou mantenha uma rotina;
  • Dê responsabilidades. É importante saber que a vida adulta não é só liberdade;
  • Alimente os sonhos. Mas ensine que tudo tem benefícios e consequências;
  • Dê bons exemplos. Essa história de que faça o que digo, mas não faça o que faço não ajuda na tomada de decisões. Na dúvida ele vai seguir o espelho, que no caso é você;
  • Converse com os professores e funcionários. Muitos comportamentos inadequados acontecem na escola;
  • Não ache tudo normal. Cada ser tem suas características e deve ser tratado em sua individualidade;
  • Não o chame de “aborrecênte”!
  • Lembre-se: você já passou por isso;
  • Na dúvida procure orientação profissional. Uma, duas ou mais opiniões, tudo que prejudica não é normal;

Importante é que a ligação entre pais e filhos esta além das instabilidades da adolescência. E quando não souber o que falar deixe que o olhar carinhoso e um abraço sincero conecte. É a melhor forma de se dizer que esta presente e acima de tudo, que está ao lado e estabelecer confiança.


Até o próximo texto!

Liliane Lopes - Psicóloga



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